28 novembro, 2017

Lisboa à Noite - WORKSHOP


Eu e o meu colega sketcher, o talentoso Pedro Loureiro, no  seguimento do sucesso do nosso workshop nocturno em Torres Vedras, iremos trazer a mesma experiência à capital para um Workshop de desenho nocturno no centro histórico de Lisboa, no miradouro das Portas do Sol dia 9 de Dezembro (Sábado) pelas 17:00. Vamos captar a beleza nocturna da bela Lisboa nos nossos diários gráficos, partilhando técnicas, truques e experiências de como desenhar à noite. 

Mínimo 5 participantes - Máximo 20 participantes | Preço por pessoa:20€  (Associados USkP: 15€) Inscrições até 7/12 para mail: stillsketch.tvedras@gmail.com e/ou pedro.mac.loureiro@gmail.com

Esperamos por vós, até lá.

Para mais info e/ou preços, mail para stillsketch.tvedras@gmail.com (Pedro Alves) ou pedro.mac.loureiro@gmail.com (Pedro Loureiro)

Sketch by Pedro Loureiro

The Pedros, (Alves and Loureiro), after the success of their evening workshop in Torres Vedras, will bring the same experience to the capital, leading a night sketching workshop in the historical old town of Lisboa, at the Portas do Sol vantage point, on December 9th (Saturday) 5pm. We’re going to capture the evening beauty of the lovely Lisboa on our sketchbooks., sharing techniques, tricks of the trade and experiences of sketching in the night. 

 Minimum attendance 5 participants – Maximum attendance 20 participants | Price per person: 20€ (15€ for USkP Association members) | 

Registrations until December 7th to: stillsketch.tvedras@gmail.com and/or pedro.mac.loureiro@gmail.com 

 We’re looking forward to sketch with you.

21 novembro, 2017

Viagem à Madeira

Como é hábito há 7 anos, desde que me casei, chega ao fim de Outubro e vou para aquela escapadinha que tem o timing perfeito entre as férias de Verão e do Natal, ideal para recarregar baterias. Desta feita, rumei até à Madeira, que nunca tinha visitado, com o objectivo (traçado pela minha mulher) de fazer bastantes levadas, um must para quem visita esta ilha. 


Mal saí do avião, rumámos em direcção à Ponta de São Lourenço para esta caminhada de 8km em redor da bela escarpa recortada tão característica deste local. Fui fazendo uns rabiscos, quase em movimento que nem consigo chamar bem de desenhos, mas sim apontamentos. Ao rever estes apontamentos lembro bem que o ritmo da caminhada ainda era tão ou mais frenético que o traço...

Dos poucos e rápidos desenhos sentados que me permiti fazer, saiu este, já estoirado e quando ainda faltavam 200 metros para chegar ao final, final esse meio enganador que na verdade é o meio porque depois havia todo o caminho de volta para percorrer, debaixo de um calor abrasador ( e já quase sem água...).



...mas sobrevivemos. Depois de regressarmos ao carro (com um garrafão de água comprado previamente) rumámos até à Prainha onde única coisa que fiz foi tomar banho de água morna (no final de Outubro!) e descansar... Depois disto fizemos uma passagem rápida pelas casas de Santana e pouco mais num primeiro dia bem preenchido.

Estávamos alojados num pequeno apartamento bem no centro histórico do Funchal na Rua da Cadeia Velha que no fundo era uma rua para onde davam as traseiras dos edifícios das ruas mais movimentadas que a ladeavam. Ali meio protegido do reboliço urbano matinal, fiz este desenho da janela do nosso quarto/sala/cozinha com vista para o largo de pelourinho, ponto obrigatório de passagem para pegar no carro estacionado uns metros mais à frente.

Desta vez a levada escolhida foi a do Rabaçal/25 fontes e para lá chegar nada melhor que um Clio num caminho municipal mais íngreme que sei lá, com dois sentidos mas onde só passava um carro de cada vez. Depois desta descarga de stress que tenho sempre que me meto num carro por estes caminhos manhosos, nada melhor que andar a pé que é sem dúvida das coisas que mais adoro fazer.  Lá fomos para uma das levadas mais esperadas que nos recebeu com vacas a beber água directamente das nascentes e com mini lagoas como a que desenhei na esquerda. Ainda não tínhamos visto nada e já estava a ser incrível. 2 km depois chegávamos à Casa do Rabaçal que oferecia um pequeno refúgio e água a preços exorbitantes para os mais desesperados. Ao caminharmos mais um pouco, comentei que a Madeira era muito bonita mas que ainda não me tinha deixado verdadeiramente boquiaberto até que me deparo com a Cascata do Risco... e imediatamente retirei o que tinha dito! Depois de contemplar esta maravilha com todo o tempo do mundo, rumei ao ex-libris da levada, a queda das 25 fontes que é igualmente de cortar a respiração, mas desta feita sem bloco na mão porque o caminho tornara-se bem mais exigente. 

11km depois, com pernas a latejar por todo o lado, fomos até Porto Moniz para relaxar na praia mas ahh... Não havia praia, apenas piscinas naturais no meio das rochas. Confesso que aqui fiquei meio desapontado, esperava um pouco mais de abertura na paisagem para que eu conseguisse ver mais água e menos rochas. O excesso recorte do rochedo permitia muitos locais de esconderijo, usado por putos estúpidos nativos que tinham tirado o dia para a parvoíce e eu já não tenho paciência para tal e como tal, fiquei a guardar os meus pertences que eu sentia que se os largasse, eles voavam...

No dia seguinte fomos novamente até ao monte da cidade do Funchal para visitar um dos jardins, em que o eleito foi o Jardim Tropical do Berardo. Ficamos impressionados logo ao inicio com a beleza do local mas rapidamente apercebemo-nos que aquilo é tudo falso e nada foi colocado ao acaso. As partes mais interessantes são sem dúvida as que nos remetem para os tempos do Japão feudal onde ainda conseguimos sentir alguma sensação de paz... até que o próximo grupo de turistas entra para mais uma série de fotos que no fim, ninguém vê...

No final da manhã, fomos até Câmara de Lobos onde fiquei menos tempo que eu gostaria. O lugar é muito intimista e tem uma relação fantástica com o mar e com as suas gentes. Sentado na esplanada do Nº2 enquanto comia um prego em bolo do caco, desfrutei um pouco do quotidiano das pessoas que envolve como seria de esperar, a pesca.

No final da tarde fomos até à Ribeira Brava já em modo ultra cansados, com os pés todos doridos mas ainda assim lá fomos para a praia de calhaus, para um banho tardio. Curiosamente os calhaus estavam apenas na zona onde nós costumamos ter areia porque ali, a areia propriamente dita estava onde começava a água, o que tornou o banho bem agradável. A vila é um local bem simpático onde tudo revolve em torno desta Igreja Matriz, perfeitamente encaixada num cenário bem bucólico, com bananeiras a criar um pano de fundo bem verde, amarelado pelo Sol que já estava baixo.

No último dia eu já aparentava um cansaço que já se estendia para além do físico. Eu já estou numa fase em que quero coisas novas, mas por pouco tempo e neste último dia de viagem, as saudades de casa, da filha, do meu mundo, já apertavam e comecei então uma das minhas neuras que ninguém merece aturar, muito menos a minha mulher. Nestas neuras eu costumo por em causa tudo o que me rodeia, o meu lugar no mundo, o que faço, o que fiz e o que posso não vir a fazer...

Nem vontade de desenhar tinha, tudo era forçado... Acho que no fundo só queria sair dali e rumar a casa e ficar por lá, onde tudo me é familiar e confortável. O meu chip muda bruscamente entre ir à descoberta e ficar pela minha querida zona de conforto...
...o que acabou por acontecer neste tão esperado regresso a casa. Por muito belo e cativante que seja o local que visito, nada bate a sensação que tenho quando as rodas do avião tocam no solo do aeroporto de Lisboa. É sinal de que estou de volta e a apenas 40km de casa. O desenho mais gostei de fazer foi este, não pelo resultado final mas pelo sentimento que ele carregava na altura...

17 agosto, 2017

Santa Cruz Watercolours - Part IV - Into the night...

Na 4ª feira, os artistas foram conhecer Lisboa, excepto eu que agradeço todos os instantes de férias em que me afasto da confusão do local que só me faz lembrar stress+trabalho. No dia seguinte deu-se o meu workshop de desenho que contou com cerca de 15 participantes e como tal, uma manhã ultra estafante mas onde saimos gratos por estarmos a passar o nosso conhecimento a outros. Os inúmeros "Merci" , "Thank you so much", "Gracias" e "Obrigado!" são as melhores coisas que podemos ouvir no final de um workshop! 

On Wednesday was time for a trip to Lisbon, that I skipped because I didn't want to remember work+stress during my vacations. Next day, my drawing workshop happened with 15 participants! I was exhausted at the end of the morning but quite grateful for all the "Thanks" that I got. It's rewarding to pass on your knowledge to others and realizing how helpful it will be for them all. 

6ª feira começa com uma demo da aguarelista Belga Marie-Paule Dupuis, com uma fantástica cena nocturna, onde as linhas de lápis foram substituídas com linhas de fita cola de papel, criando máscaras que a auxiliaram em todo o processo. Este meu esquisso ajuda-me a relembrar cada pormenor, de tudo o que aprendi neste momento que irão influenciar todos os meus workshops nocturnos de hoje em diante. 

Friday starts with a fantastic demo of Belgium artist Marie-Paule Dupuis doing a fantastic night scene, where pencil lines were replaced with tape, working as masks that helped her during the process. This sketch reminds me of all that I learned from this, which  will drastically change the way I teach night sketches in my future workshops. 


 Depois de almoço, rumámos ao sol abrasador de Torres Vedras que contrastava com o tempo Invernoso de Santa Cruz. Os artistas aproveitaram para dar um passeio livre pela cidade que antecedeu um dos momentos altos do encontro, a recepção na Câmara Municipal pelo seu Presidente Carlos Bernardes. Começámos por visitar a pequena mas belíssima Igreja da Misericórdia...

After lunch we went to Torres Vedras, under a boiling sun, opposing the winter we were having in Santa Cruz. We walked a bit before the main event of the evening, the reception in the City Hall by the Mayor Carlos Bernardes. We stared by visiting the small but beautiful Misericórdia church...

...passámos pelo Largo de São Pedro onde reforcei a importância de beber imperiais numa esplanada à sombra... 

...I stopped next to São Pedro church where I reinforced the importance of drinking beer under a cool shade...

 ...e reforcei ainda mais na esplanada em frente à Galeria Municipal (antiga Câmara Municipal) onde iria ser o lugar da cerimónia...

...and again right in front of the City Hall where the ceremony would take place...

 ... que contou, como já tinha mencionado, com a presença do Presidente Carlos Bernardes mas também da Vereadora da Cultura Ana Umbelino, que agradeceram e destacaram a importância que todos os artistas, em especial António Bártolo por estar ao leme desta inciativa há 10 anos consecutivos, que cada vez tem mais significado e presença cultural no concelho e no país.

...with the presence of Mayor Carlos Bernardes as I mentioned above, but also with Ana Umbelino, councilwoman for the Culture, who thanked our presence, mainly António Bartolo, responsible for this initiative for the past 10 years. 

À medida que o Sol ia descendo sobre a praça do Município, a cerimónia continuava com o coffee break e uma oferta do município para todos os artistas convidados, bem como uma agradável conversa entre todos. Depois, foi tempo de voltar ao frio (e chuva!) de Santa Cruz para o evento da noite: Pintura nocturna em conjunto com os Urban Sketchers! 

As the sun was setting on the square, the welcome ceremony was still on, while everyone was having a coffee and a nice conversation between us all. After that, was the time to return to the cold weather of Santa Cruz for the main event of the night: Night sketching with the Urban Sketchers!


Aqui, o papel organizador passou para mim e para o Bruno (Faltavas tu Ana para o circulo ficar completo) enquanto coordenadores dos Oeste Sketchers e também para dar as boas vindas aos Urban Sketchers que nos visitaram. Foi uma alegria enorme recebê-los e dar a conhecer o nosso colectivo aos aguarelistas presentes. "Vocês ainda são bastantes!" exclamava a Angela, ao qual eu respondi no meu fluente "portuñol": "..e ainda não viu nada, num encontro bem organizado, chegamos a ser bem mais de 50!" Fomos então em busca de um local para o registo nocturno e ainda sem encontrar o tal, vi o António Procópio a iniciar um desenho descomunal  e pensei, "é já aqui"... Tinha dado uma folha gigante da Canson ao António e fizemos, em conjunto uma verdadeira demonstração pública de sketch/aguarela para os muitos que iam passando. A meio dos trabalhos tínhamos uma multidão enorme de gente em  nosso redor que eu ia vendo pelo canto do olho e mesmo assim mal devido ao holofote que nos projectava uma luz bem potente na cara! Antes de terminar o desenho, levantei-me para esticar as pernas e fui prontamente abordado por um jovem que exclamou que gostava de fazer isto e não conhecia ninguém na zona dele que desenhasse. "És de onde?" perguntei eu. "...vivo nos Açores, São Miguel". "Então fala com a Alexandra Baptista!" respondi prontamente. "Ahh, ela é minha stora!!!"  "Então tu tens uma professora que é uma das melhores Urban Sketchers nacionais, estás a espera do quê para começar nisto?!"  (Alexandra, espero que resulte em mais "clientes").  
No final do encontro, os resultados foram fantásticos e foi brilhante ver tantos, bons e diversos registos, todos reunidos junto ao Ar de Bar, incluindo os cadernos de pessoas que não sabiam do evento e se juntaram quando nos viram desenhar. 

No final do evento, esta aguarela nocturna foi também cedida para a Câmara Municipal de Torres Vedras. 

Here, both me and Bruno took the organization role as Oeste Sketchers-USkP coordinators to welcome all the Urban Sketchers that joined us. It was an overwhelming joy to welcome and introduce them to all watercolourists. "You're a big group!" said Ângela with admiration. "...and you haven't seen nothing yet, our numbers go up to 50 or 60 in a well arranged meeting" I went for a place to sit down, and took me a long time to choose one until I saw António Procópio starting a superb sketch, and immediately joined him. We both did a public demo on how to sketch and watercolour a night scene to all the people passing by. Rapidly, a great amount of people gathered behind us to see us sketching and painting. At the end of the meeting, all works were displayed in the town centre, including the ones from people that joined us that weren't aware of this meeting. 

This watercolour is now part of the municipality watercolours collection also. 

11 agosto, 2017

Santa Cruz Watercolours - Part III - Why not?...

 Neste encontro eu era claramente aquele que menos anos tinha de aguarela e uma falta de experiência notória no que toca a conhecimento de técnicas, materiais e mais truques do género. No entanto, há uma coisa que eu sei, é que o papel comanda a vida neste meio. Podem ser muito talentosos e ter as melhores tintas mas no fim, tudo se resume à qualidade do papel VS tipo de trabalho que querem produzir. Os artistas deste encontro têm um beneficio fantástico, o acesso practicamente ilimitado a papel de aguarela, papel esse que anda sempre nos 300g/m², quase sempre de algodão e com dimensões que não se comparam a qualquer caderno que eu tenha visto por aí. 

Among all artists, I was the on with less experience using watercolors, and with a huge lack of knowledge regarding, materials, techniques and such. However, there's one thing I do know of, is that paper is key to produce a nice piece. We may be talented and have some of the best gear but in the end, it all comes to the kind of paper vs type of work you want to produce. Featured artists in this meeting have a huge advantage, the almost unlimited access to quality paper, never less than 300gsm, 100% cotton, with huge sizes incomparable to any sketchbook around. 


  Era 3ª feira, dia 1 de Agosto e as actividades passavam pela cidade de Torres Vedras, em grande parte para a dar a conhecer aos artistas que até então tinham estado sempre em Santa Cruz. Após um passeio matinal por ruas que eu já desenhei vezes sem conta, sentei-me no Largo de Santo António com o Bruno e com a Ana Ramos (o núcleo dos Oeste Sketchers :) que também já teve uma dose considerável de desenhos (aqui). Puxei da caneta e preparei a folha gigante de 70x40 e pensei... "E fazer uma aguarela à aguarelista? Porque não?..." e nesse instante, troquei a caneta pelo lápis e fiz um desenho bem mais solto e menos detalhado que o normal.

Tuesday, August 3rd, and all activities were set to happen Torres Vedras, since all artists stayed in Santa Cruz during the whole time until now. After a morning walk trough streets I know to well, I sat down in Largo de Santo António with Ana and Bruno. I pulled my pen to start my sketch on this giant sheet of 70x40cm and then I thought... "What about a real watercolor, like painter do?... Why not?..." And in that moment I replaced my pen for a mechanical pencil and the result was a much looser sketch than what I do. 

 Assim que comecei a lançar cores, voltei a ter a perfeita noção de que o papel faz mesmo toda a diferença. Este era um Arches de grão grosso e ver as cores misturarem e fazer efeitos extraordinários é um prazer quase indescritível. Não somos apenas nós que trabalhamos em aguarela, a água também trabalha connosco e é ela a principal responsável por uma aguarela extraordinária ou por mais uma folha para o "lixo" (nunca mandem desenhos fora, é apenas uma força de expressão). No fim, estava claramente satisfeito porque senti que tinha aprendido mais qualquer coisa...  

As soon as I started playing with colours, I realized once more the importance of having a quality paper for this kind of work. This was an Arches Torchon paper, and it was pure joy watching colors playing and mixing together. In watercolour we're not the single protagonist, water is working alongside us too and can be the main responsible for a masterpiece or for another piece of paper in the trash can (never dispose of a drawing/paint, it's just an expression ;). In the end I was clearly satisfied with this, because I felt I had learn something in the process... 
Para além de uma sala de trabalhos, este encontro dispões de uma galeria que serve apenas para a mostra de aguarelas feitas durante o mesmo. Assim que um artista termina um trabalho, ele coloca o seu trabalho na parede bem como um preço de venda ao público. Aqui estavam as minhas obras no final deste segundo dia de encontro, ao lado das fantásticas incursões "Banksyanas" do George Politis. No final da exposição e do encontro, esta minha aguarela passou a fazer parte da enorme e muito rica colecção de aguarelas do Concelho de Torres Vedras. Uma honra enorme poder servir a minha "casa" com o que mais gosto de fazer...

Besides a work room, in this meeting all artists have a gallery displaying all paintings made during the event. At the end of the day, you get to put your work in the wall with a price tag if you  want to sell it. Here were my sketches/watercolors at the end of this 2nd day, next to the work of talented George Politis. At the end of the event, this watercolor became part of the Municipality huge collection of watercolors. It's an honor being able to serve my "home" with what I love the most... 

09 agosto, 2017

Santa Cruz Watercolours - Part II - My part...

Desenhar em cadernos não é novidade para os artistas em geral, de modo que é ainda a forma que muitos tem de compor as suas obras andes de as transpor para grandes telas. Andar de caderno na rua a desenhar o que está diante de nós é uma prática tão antiga como os cadernos em si e para estes artistas, nada de novo tampouco... 

Sketching in books is not exactly a new trend for most artists, since lot's of them use sketchboks to start composing future works in big canvas. Hanging around with a sketchbook, drawing from life must be as old as the sketchbooks themselves, so nothing new here... 

No entanto, os Urban Sketchers introduziram uma nova variável nesta equação: a narrativa, o carácter jornalístico, e é essa componente que estes artistas não estão tão habituados a ver. O que nós Urban Sketchers fazemos nos nossos cadernos transcende a técnica, o rigor e a materialidade, nós contamos histórias que um dia poderão fazer parte da História, mas acima de tudo, são memórias nossas, porque estivémos lá numa determinada ocasião.. Tinha encontrado nesse momento qual iria ser o meu papel nisto tudo. Apesar de não gostar do termo "registo" quando relacionado com o desenho, era isso mesmo que eu iria passar a fazer, a registar tudo o que eu conseguisse ver, ouvir e sentir... 

Urban Sketchers however, manages to introduce a new layer in all this: Narrative, Journalistic traits into a drawing and that's something that most artists don't see everyday. What Urban Sketchers do stands somewhat apart from techniques, materials and composition rules, we tell stories with our sketches, that may someday be part of History, but above all else, we sketch our future memories. In that exact moment I found my purpose and how I was playing my part in all this...

Depois uma manhã bem carregada de chuva e tempo invernoso, passei o almoço bem divertido e a rogar pragas ao tempo oscilante de Santa Cruz. Após muito vinho e uma Macieira com o Augusto, subimos até ao miradouro da Praia Formosa para ver o mau tempo ir embora dando lugar a um sol radiante. "Adoro o Verão em Santa Cruz, o ano passado calhou a uma 4ª feira" brincava eu... Este ano começou na 2ª depois de almoço e deve ter ficado até 3ª a tarde, nada mau...  

After a rainy morning and experiencing a bit of winter. lunchtime was quite fun while swearing to this messed up weather in Santa Cruz. After a generous amount of wine and some brandy on the top, both me and Augusto went to Formosa viewpoint to sketch the bad weather going away. 


Mas o que eu realmente queria era sentar-me na esplanada com os amigos e deixar o tempo passar entre desenhos, conversa e imperiais. Depois de muitos copos, era tempo para assistir à demo do talentoso George Politis da Grécia que fora reagendada para as 17h dado que de manhã havia água a mais para a aguarela...

But what I desire the most was to seat in a cafe with my friends and let time slip away between sketches, beer and talk. And after some beer, we were off to watch George Politis demo, recently re-scheduled to 17h because during the morning there was to much water for watercolor practice... 


 Uma das coisas que os artistas convidados são "obrigados" a fazer, é uma demonstração pública do seu trabalho e normalmente, em Santa Cruz durante o mês de Agosto é sinónimo de bastante gente em redor a observar. Alguns curiosos paravam uns segundos e seguiam viagem mas havia alguns olhares bem interessados na fantástica performance deste premiado artista helénico. Ao lado esquerdo do George, a sua filha fazia um "cafuné" à pequena Ines (neta da artista Isabel) enquanto observava com orgulho as belas texturas que as Daniel Smith iam fazendo no Arches de 600g do seu pai. Do lado direito os olhares mais atentos eram das famosas e talentosas espanholas Angela Barbi e Teresa-Jordá. Vale bem a pena conhecerem o trabalho desta "malta" ;)

One of the "obligations" of the featured artists is to conduct a public demo of their work, and in Santa Cruz at this time of the year we can find many people that gather around an artist to watch him work. Some just passed by but the vast majority stood with great interest to see  what talented Greek painter George Politis was doing. In the left, his daughter was playing with little Ines hair while watching proudly to the beautiful textures her father was doing with Daniel Smith watercolors and Arches 600gsm paper.  On the right, both Angela Barbi and Teresa Jordá were following the process with most attention to every detail. Take your time to see the work from all these people ;) 

Depois de mais uns copos, uma vez que há sempre brindes atrás de brindes cada vez que um artista acaba uma demo, voltamos ao nosso "Quartel-General", a pensão Mar-Lindo que tem das melhores vistas para a praia e respectivo por do sol. Não desenhei o clássico por do sol mas sim o efeito que o sol fazia no casario envolvente. Essa luz quente que provoca sombras luminosas é muito característica desta zona, mas no entanto também é muito rara, porque como disse no inicio, só há sol nestas bandas umas duas ou três vezes por ano. 

After some more drinks, since everytime an artist finishes his demo we get some rounds of beer, we return to our HQ, Mar-Lindo lodge, home to some of the best viewpoints to Santa Cruz beach. In this sketch I avoided the classic sunset and concentrated my efforts on the shadows created by this typical yellow light, that's it's also very rare since there's almost only 2 or 3 sunny days per year... ;) 

Santa Cruz Watercolours - Part I - It starts...

 O Encontro de Internacional de Aguarelas de Santa Cruz é um evento que aos poucos pôs o concelho de Torres Vedras nas principais rotas dos aguarelistas, que tal como nós Urban Sketchers, viajam pelo mundo fora para pintar, ensinar e sobretudo, aprender... O seu mentor, António Bartolo já está ao leme desta iniciativa há 10 anos, que promete afirmar-se como um dos principais encontros de aguarela do país e da Europa.

 Quando em Dezembro de 2016, ele me convidou para ser um dos artistas seleccionados para o evento, eu não soube muito bem como responder e numa estranha mistura de plena felicidade com incredibilidade lá esbocei um tímido "Obrigado!..?" Acho que desde então e até ao momento em que escrevo isto me continuo a perguntar: "Porque é que um desenhador de rua como eu foi convidado para um evento de pintores de aguarela?! What?!"

The International Watercolour Meeting of Santa Cruz it's an event that step by step, has been highlighting Torres Vedras as one premium destination for many painters, that like us Urban Sketchers, travel around the world to paint, teach and most of it, to learn... It's mentor, painter António Bartolo (PT), is at the helm of this initiative for the past 10 years, leading it to be one of the main attractions to national and European watercolorists. 

Back in December 2016, when I got his invitation to be one of the selected artists, I didn't know how to answer the call, and between pure joy and happiness and a bit of disbelief ,  I said something like "Thank you so much!...?". From that moment until today I still ask myself: " How an Urban Sketcher like me gets invited to a painters event like this one?! What the...?!  
 
Sim, eu uso a aguarela e aos poucos fui ficando um pouco refém dela, não porque me acomodei mas porque quero ficar refém, numa espécie de Sindrome de Estocolmo benéfico. É nela que eu vejo novidade a cada desenho que faço, mas no entanto faço questão de salientar que o que eu faço são de facto desenhos... As minhas linhas ainda são (e serão sempre) aquela componente do meu trabalho que melhor me define, enquanto desenhador e potencial artista...

Yes, I do use watercolours, and with time I became a bit of a hostage, suffering from a "good" Stockholm Syndrome. It's in watercolor that I see something new every time I sketch, but I need to reinforce this: I sketch... My lines are still (and will be) the main component (and the most appealing) of my work as a sketcher and potential artist... 


...no entanto, não há nada de errado (antes pelo contrário) de explorar novos caminhos e enquanto a aguarela me continuar a mostrar novos sentidos, eu vou embarcando e vou desfrutando da viagem. Para ganhar um pouco de confiança para o que estava para vir, comecei por fazer o que faço normalmente, mas numa folha mais generosa. Assim que acabei, não fiquei nada feliz com o resultado pois não havia nada de novo e naquele instante eu soube logo que esta aventura iria mudar o meu método de desenhar uma vez mais.  E nada melhor que um evento desta natureza para nos "forçar" a tal, a estarmos de mente aberta para deixar a novidade e a inovação entrar, quer gostemos ou não do resultado final.

 No fim de contas, o que interessa é a viagem e não tanto o destino...

...and yet, there's nothing wrong (quite the opposite) in exploring new ways and as long as watercolors provides me that feeling, I'll play along and let it go.
To get some confidence for the trip ahead of me, I started by doing something I do everyday but in a much larger sheet. As soon as I finished, I hated it because there was nothing new on in and in that moment I realized that this adventure would change my sketching once more. These kind of events are perfect to "force" yourself to do things like you don't usually do, either you like the final result or not. 

In the end, what matters the most is the journey, not your destination...  

30 junho, 2017

Da Polux para a Baixa



Quando me perguntam se eu não quero subir seja lá ao que for para desenhar, não fico particularmente entusiasmado dado o meu pavor por alturas. Quando o Pedro Loureiro perguntou se eu não queria tentar subir até ao terraço da Polux para ver se já estava aberto, eu respondi com um sim meio timido, mas lá fui... A vista é soberba e o facto de termos uma guarda de vidro que nos impede de debruçar para ver a rua cá em baixo ajuda bastante. Se apenas conseguir ver em frente, consigo manter a calma mas ainda assim, estas linhas foram muito rápidas, tinha de sair dali o quanto antes. No fim, gostei bastante do resultado e apesar da fobia, iremos voltar para um desenho mais calmo...

When someone asks me to go up there to sketch, wherever up there is, I don't get particularly excited due to my fear of heights. When Pedro Loureiro asked me to check the new Polux terrace in the 8th floor in downtown Lisbon, I relied with a compromised "yes", but I went anyway... The view is breathtaking and the glass protection helps since it keeps you from leaning to the street below. I can keep my cool if I only look straight but even so, I did my lines really fast just to step back from that place. In the end,  I liked the results and besides my panic, we'll return for a more calm sketch...

Desenhar em Santarém


O inicio dos desenhos neste dia 25 de Junho começou bem cedo ainda a caminho do local do encontro, dentro do carro da Sofia que nos conduziu até lá. Ela ia falando com o Bruno, e o seu filho Duarte ainda meio ensonado e em modo pequeno-almoço ia seguindo o caminho e o desenho com atenção. Num instante chegámos a Santarém e depois de uma introdução para uma plateia bem composta, chegou o momento de desenhar a cidade.

I started my sketches very early on the 25th of June, during the trip to Santarém Sketching Meeting, inside Sofia's car. While she was talking to Bruno on the front, her son Duarte was paying atention to what I was doing while trying not to sleep. We reached the meeting point very quickly, and after attending a small introduction to a big audience we set off to sketch the city. 

Eu tinha estado por lá há bem pouco tempo e ainda conservava memórias bem frescas da cidade, pelo que aproveitei o encontro para fazer os desenhos que gostaria de ter feito há uns meses atrás. Eu e o Bruno fomos até ao Jardim das Portas do Sol onde pude desenhar a vista oposta a que já tinha feito antes, desta vez a vista a montante do Tejo com a sua ponte antiga que se estendia sobre a Lezíria infindável... Entre conversa, desenho e pintura, a manhã passou num ápice..

I had been there a couple of months before and memories were still fresh, so I took this opportunity to sketch what I couldn't sketch before. Me and Bruno went to Portas do Sol viewpoint, a fantastic view to Tejo river and the endless Ribatejo plains. Between sketches, watercolors and conversation, time flew really fast... 

...e chegou a hora de almoço, que devido ao elevado número de participantes mais parecia um banquete de casamento. Fiquei ao lado do Augusto e sua esposa e do Bruno, num divertido repasto onde falámos de pintura, desenho e como fazer bons pratos de carne e peixe para os amigos. Depois da comida boa e do vinho, sobretudo do vinho, já não havia grande vontade para fazer o que quer que fosse, a não ser dormir uma sesta.

Lunch time was upon us and due to our big numbers, it looked like a wedding banquet . We were joined by Augusto and his wife and we spent the time talking about sketching, painting, art and how to cook great food. After lunch and due to the great amount of wine we all had, we didn't feel into sketching anymore...

Mas estávamos lá para desenhar e assim foi. Fui até a Igreja da Graça que me tinha despertado a atenção da última vez que lá tive e não pude desenhar. Desta feita não escapou. Entre sol intermitente e chuva, lá consegui fazer o desenho de uma complicada mas muito bonita igreja Gótica, acompanhado pelo Pedro Álvares Cabral e pelo Bruno que o "caçou" no desenho dele . Depois disto ainda consegui fazer um mini workshop/demo para a Cintia Kou (de Macau a residir em Portugal há um ano ) que surpreendentemente fez a viagem até lá para desenhar connosco.

But we had to sketch, that's why we went there in the first place. We went to Graça Church, and between sun and rain I managed to sketch this beautiful gothic facade. In the meantime I still managed to give a demo/mini workshop to Cintia Kou from Macao, that surprisingly showed up to sketch among us. 

E para a prova futura que estivemos mesmo lá, o Augusto, eu e o Bruno, fomos tirar a foto junto do carro de exteriores da RTP de 1957 que mesmo assim não conseguiu roubar o protagonismo aos mais de 60 sketchers que tomaram Santarém de assalto neste Domingo bem passado. Obrigado aos meus colegas de viagem e à Sofia por nos ter levado até lá ;) Um grande obrigado aos Ribatejo Sketchers, à Ana Barbosa e o João André que tornaram isto possível. Foi um mega encontro, foi fantástico e quem não foi, não sabe o que perdeu.

And the irrefutable proof that we were there, a photo next to a charming RTP car from 1957 that couldn't outshine the more that 60 sketchers that took Santarém by storm. It was such an amazing meeting and I'm glad I was there. Thanks to all ;) 

31 maio, 2017

Jantar na Baixa


Quando mudamos de emprego ao  fim de muitos anos a trabalhar no mesmo sítio, sentimos uma verdadeira lufada de ar fresco nas nossas vidas e aquela sensação de verdadeira liberdade que nem no dia 25 de Abril sentimos... Eu senti isso ao fim de 7 anos, o meu colega Tiago sentiu isso nesta noite ao fim de 9! Ele abriu as portas da sua casa na Rua da Conceição para um belo jantar de despedida com os, agora ex-colegas. 

Whenever we change a job after many years spent on another, we feel a true breath of fresh air into our lives and that sense of real freedom... I felt like that after I quit my 7 year job and my colleague Tiago did the same after 9! He opened the doors of his house for a dinner with the former work mates. 


 Entre jantar, conversa e muitos (muitos mesmo!) copos de vinho e de cerveja, vínhamos à varanda para umas conversas mais intimistas e de esperança para o futuro. Uns fumavam e eu fazia o que a vista pedia.

During dinner, talk and many many glasses of wine, from time to time we went outside to the terrace for a more intimate chat where we talked about the best of hopes for the future in this new chapter. Some were smoking and I was doing what the view as asking to be done. 

Mais uns copos depois,  ainda deu para matar saudades da guitarra e ter a derradeira conversa animada antes de rumar a casa. O ambiente estava super alegre e descontraído como é de esperar deste grupo de amigos. Até ao próximo jantar porque felizmente, os ex-colegas estão todos a mudar de emprego aos poucos e isso é esperançoso quando se fala em arquitectura em Portugal .

 This dinner was a very special moment full of joy and relaxing moments. Thankfully, next dinner of this kind is very close since my ex- colleagues are slowly quitting their jobs to get new ones and that's a good thing when talking about architecture in Portugal. 

25 maio, 2017

Palácio de Monserrate


No passado dia da Mãe, resolvemos juntar as nossas mães todas e rumamos a Sintra para o palácio de Monserrate para visita / pic-nic familiar. Nunca tinha visitado e como sabia por alto ao que ia, para além do meu habitual kit para desenho, levei também um bloco A3 para tentar uma aguarela ligeiramente maior das habituais...


E assim foi... Enquanto a família passeava um pouco mais á frente, fiquei deslumbrado com este canto e como a luz moldava o espaço. Devo ter ficado alí imóvel uns 5 minutos a tentar perceber a relação da luz com todos os elementos da paisagem até à mais ínfima folha. Peguei no bloco e desenhei para mais tarde pintar. É que desenhar com o tempo que queremos enquanto estamos com família é impossível...

24 maio, 2017

Montejunto


O dia começou ventoso neste 11º Encontro dos Oeste Sketchers que para mim foi mais curto. Só estive da parte da manhã e mesmo assim senti que poderia ter feito bem mais porque a paisagem assim o pedia.  Mas uma aguarela gigante de 56 x 42 como a de cima requer tempo e alguma paciência que ainda é a minha principal falha...

It was a windy day in the 11th Oeste Sketchers meeting that was a bit shorter for me. I could only attend during morning but I felt I could do more sketches than these because the beautiful landscape was worthy. But for this giant watercolour time and patience was the essence and I still think that lack of patience is still my main weakness... 


Já em jeito de despedida do encontro, fiz mais uma perspectiva desta bela ruina do Convento da Nossa Senhora das Neves que se encontra só no topo desta bela Serra que constitui um belo motivo para regressar...

Before I bid this meeting goodbye, time for another sketch of this beautiful ruin of  Nossa Sra. das Neves Convent, alone at the top of this beautiful  ridge that definitely deserves a comeback... 

11 maio, 2017

REVIEW: Grey Book Hahnemuhle (ENG - PT)



Here's my biggest surprise since I'm a experienced sketcher: The absolutely fantastic Grey Book by German manufacturers Hahnemuhle.  With 40 sheets / 80 pages featuring 120gsm grey toned paper, the Grey Book is slim and an ideal companion if you are on the road, travelling or just going by on your daily life. Bound in several layers and thread stitched, all the pages seat solidly and allow the artist to work on two pages, across the centre seam, just like it should be. 

Eis a minha maior surpresa desde que sou um desenhador experiente: O fantástico Grey Book da marca alemã Hahnemhule. Com 40 folhas / 80 páginas de um papel de 120g/m² ligieiramente cinza, o Grey Book é bastante fino, tornando-se  um bom companheiro de viagens ou para o dia-a-dia. As suas folhas estão dispostas em camadas e cosidas no centro dando uma robustez extra e permitindo que facilmente se trabalhe em dupla página, como deve ser nestes casos. 

I knew this sketchbook was special just because of the fact it has grey toned paper but I fell in love with it as soon as I got my hands on it. The anthracite colour and effects resembling dark wood is the best thing I've ever seen in a sketchbook and I've seen lot's of them. Besides it's great looks,  it feels even better to the touch. Pure magic... 

Só pelo facto do papel ser cinza, percebe-se de imediato que este caderno é especial, mas eu apaixonei-me de imediato assim que o vi ao vivo. A capa de cor antracite e com efeitos que fazem lembrar madeira escura é sem dúvida o melhor dos pormenores que eu já vi num caderno e eu já vi bastantes. Para além do seu visual, tem um toque fantástico, quase mágico... 

But looks isn't everything so let's move on to what really matters, the paper quality. Besides my sketching kit that I mentioned in my previous review (here)  , for my sketches in this one I used my trusted Lamy Joy pen; a white Caran d'ache Prismalo colour pencil, a bullet shaped Posca white pen and sometimes other colours if handy.

Mas como o aspecto não é tudo, avancemos para o que realmente interessa que é a qualidade do papel e como se comporta. Para além do meu habitual conjunto para desenho que mencionei na minha última review (aqui), para os meus esquissos neste papel usei a minha habitual Lamy Joy; um lápis de cor branca Prismallo da Caran d'Ache; uma caneta Posca Branca e uma ou outra cor se as tiver por perto. 


 I use this particular sketchbook for those quick sketches that don't require much information besides the action itself and their protagonists. I find this one perfect for sketching people around me and their actions while studying lighting at the same time. The tone of the paper is just right allowing me use highlights as well as darker shades, giving my sketches that extra depth and volume using only two pens.

Eu uso este caderno maioritariamente para aqueles esquissos rápidos que não precisam de muita informação para além da acção em si e breves alusões aos seus protagonistas. É perfeito para desenhar as pessoas ao meu redor e o que elas fazem e ao mesmo tempo estudar como a luz se comporta. O tom cinza médio do papel é perfeito para usar brilhos bem como sombras mais escuras, dando aos desenhos uma profundidade e volume usando apenas duas canetas. 

I thought I was going to be a bit afraid at the beginning of every page, being a different and special sketchbook and all, but it turned out quite the opposite. I see this as an opportunity to experience a new language and materials that I usually don't use and that makes me very comfortable using it. There's a saying in Portugal that every artist think of when they stumble with fear before a clean sheet of paper: The white paper Drama... 

Ao ínicio pensei que iria ter medo de "atacar" o papel e acabar por fazer maus desenhos por ser um produto diferente e especial mas acabou por ser o contrário. Acabei por encarar este caderno como uma oportunidade de testar novos caminhos e novos materiais e isso deixou-me bastante confortável. Há uma expressão que todos os artistas portugueses se lembram cada vez que ficam estarrecidos perante uma folha, sem que lhes "saia" algo: O drama do papel branco... 

 ...well, you can cast your fears aside on this one. The Grey paper of this sketchbook invites you in so just let go and enjoy the ride. Once in a while I used craft paper for these attempts but after the Grey Book I feel there's no turning back. 

bem, podem deixar-se de medos com este papel. O tom cinza deste caderno convida a desenhar, a criar portanto deixem-se levar e apreciem a viagem. Volta e meia eu usava papel Craft para este tipo de registos mas depois do Grey Book, tenho a certeza que já não volto atrás. 
The final veredict is quite simple: This is by far the best sketchbook I've tried. No other gave me more joy and surprises than this one.  And I'm just scratching the surface, it will take me a while to explore all it's possibilities. If you're an artist who uses a sketchbook on a daily basis, think no more and go get one of these. Well, get a whole box of these, you won't regret it I'm sure. This masterpiece sets the bar way up high and deserves it's place as one of the best sketchbooks ever made.

Final score: 5 / 5 

O veredicto final é bastante simples: Este é sem dúvida o melhor caderno que já usei. Nenhum outro me deu tantas surpresas como este e eu ainda estou longe de utilizar todo o seu potencial. Se és um artista que usa um caderno para rabiscar diariamente, não penses mais e vai buscar um destes que não te arrependes. Esta obra de arte estabelece novos limites no que toca à execução de um caderno e merece sem dúvida o seu lugar bem alto como um dos melhores cadernos alguma vez feitos. 

Classificação : 5 / 5 

Aside from the review, this particular sketchbook is now one of my most treasured possessions as it contains the last sketches I did of my uncle before he passed away. All this is dedicated to him... 

Um pouco aparte desta review, devo acrescentar que este caderno em particular é agora um dos meus bens mais preciosos porque contém os meus últimos desenhos do meu tio que faleceu recentemente. Tudo isto é dedicado a ele... 


Site Oficial / Official Website   (here/aqui)